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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

DEMOCRATIZAÇÃO DA ÁGUA

DEMOCRATIZAÇÃO DA ÁGUA
POR LEONARDO AGUIAR MORELLI

A água desconhece fronteiras, corta territórios, une e divide nações.
É o principal elo entre as civilizações desde o princípio da
humanidade. Símbolo de fertilidade e prosperidade, deu lugar no século
20 ao petróleo como principal indicador de riqueza de uma nação. No
início do século 21, economistas, empresas, políticos e lideranças
comunitárias voltam a levar em conta a água como determinante para o
progresso de um país.

Patrimônio natural e essencial a todas as formas de vida, a água
transformou-se em um recurso econômico, fonte de lucro e razão para
conflitos. Sua escassez atinge mais de 2 bilhões de pessoas e, se não
forem adotadas medidas para racionalizar sua exploração, em algumas
décadas 4 bilhões de pessoas não terão água para as necessidades básicas.

Na América Latina, onde se concentram as principais reservas
estratégicas de água e biodiversidade, a soberania dos povos está no
centro da geopolítica mundial, exigindo um plano urgente para sua
preservação. As águas da Amazônia integram nove países e têm a maior
riqueza de biodiversidade do planeta. As águas do Prata interligam
outros quatro, cruzando as regiões mais industrializadas do
continente, que contaminam as águas marinhas.

O Aqüífero Guarani é a maior reserva subterrânea do mundo, com
capacidade para abastecer mais de 700 milhões de habitantes.
Localizado entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, vem sendo
vítima de um ciclo de cobiça e colonização de suas terras, a partir do
investimento de grandes grupos econômicos estrangeiros no local. Para
seu controle, inclusive militar, os EUA planejam uma base no Paraguai
e propagandeiam o risco terrorista na Tríplice Fronteira, onde está
Foz do Iguaçu, a mais importante área de recarga do manancial.

Nesse contexto, é bandeira estratégica para a sobrevivência do planeta
a criação de uma Organização Latino-Americana da Água, sob a liderança
de Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e governos populares,
a partir do Fórum Social Mundial de 2009. A entidade teria a missão de
promover a defesa da água como direito inalienável dos povos, como
contraponto às políticas neoliberais preconizadas pelo Fórum Econômico
Mundial e materializadas pela OMC (Organização Mundial do Comércio).

Sua interface com as lutas sociais no campo da saúde pública (a partir
do tratamento de esgoto, lixo e drenagem) e da economia (a partir de
seu uso na geração de energia), cujos conflitos causados pelo modelo
dominante se agravam a cada dia, a colocará em posição decisiva para
que a sociedade vença o caos do sistema e as lideranças humanistas e
populares assumam seu papel na redefinição do modelo de
desenvolvimento, em prol do futuro da humanidade.

É nessa direção que o Movimento Grito das Águas lança a campanha pela
água como direito fundamental e dever do Estado, no Rio de Janeiro, no próximo dia 22 de março (Dia Mundial da Água), visando uma emenda
constitucional que garanta fornecimento gratuito de 45 litros de
água-dia por habitante, como estratégia de mobilização para o Fórum
Social Mundial da Água, em janeiro de 2009, em Belém do Pará.

*Leonardo Aguiar Morelli é ambientalista, coordenador do Movimento
Grito das Águas e secretário-geral do Instituto para Defesa da Vida

E-mail: aguiarmorelli@hotmail.com
Site: www.defesadavida.org.br

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Morte de ambientalista aumenta a polêmica do lixo em São Paulo

Morte de ambientalista aumenta a polêmica do lixo em São Paulo

Em solidariedade ao ativista assassinado com 37 tiros, entidades e
comunidade se reúnem em Mogi das Cruzes para pedir justiça

Amanhã (16), a partir das 14h, véspera da audiência pública que vai
debater uma possível ampliação do aterro São João, na zona leste de
SP, dirigentes de movimentos sociais e sindicais que integram o
Instituto para Defesa da Vida e a campanha "Mais vida, menos lixo"
visitarão a sede da ONG Guerrilheiros do Itapety, em Mogi das Cruzes.
Os dirigentes e representantes da comunidade pretendem se unir em
solidariedade à morte de Mário Padia de Oliveira, 42, ativista da
luta contra lixões em Mogi e São Paulo, assassinado com 37 tiros no
último dia 9.

Representantes de entidades de renome internacional também estarão
presentes para manifestar solidariedade e exigir a federalização das
investigações. É o caso de Rodolfo Maineri, secretário executivo da
iGWC (International Global Water Coalition), organização com sede na
Suíça que reúne instituições em defesa da água em 30 países. A
reivindicação já recebeu apoio do Alto Comissariado de Direitos
Humanos da ONU, em Genebra.

Padia era membro da ONG Guerrilheiros do Itapety e ficou conhecido
por suas apresentações artísticas, na qual encenava o personagem "Dr.
Morte". Criado por ele para satirizar empresários do lixo e
autoridades públicas, o ativista esteve presente em diversas
manifestações. Há dois anos era presença marcante em atos públicos
contra lixões em Mogi das Cruzes, onde a comunidade, após quatro
anos, conseguiu impedir a instalação de um aterro da construtora
Queiroz Galvão, na Serra do Itapety.

O ambientalista Leonardo Aguiar Morelli, secretário geral do
Instituto para Defesa da Vida, entidade que recebia apoio de Padia,
alerta para o fato de que o assassinato está sendo tratado como crime
comum, em razão dos antecedentes da vítima. "Mário estava em processo
de recuperação há três anos, tinha residência fixa na sede da ONG, no
centro da cidade de Mogi das Cruzes, trabalhava como jardineiro para
uma importante clínica de saúde e era bem quisto por todos, fatos que
contribuem para nossas suspeitas de motivação política e retaliação
para o crime", enfatiza.

Apesar de o caso já estar no Ministério Público, Morelli e as demais
entidades e associações requerem que o caso seja assumido pela
Polícia Federal, por considerar "de competência federal investigar
crimes políticos de repercussão nacional e reflexos internacionais,
que podem colocar em risco a imagem do país e os interesses da União
junto a organismos de direitos humanos das Nações Unidas".

Fonte: Leonardo Aguiar Morelli, secretário geral do Instituto para
Defesa da Vida

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Giselle Hoffmann - 3266.6088 r. 224
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