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segunda-feira, 16 de março de 2009

COMO ESCAPAR DO SERVIÇO MILITAR ?



COMO ESCAPAR DO SERVIÇO MILITAR

Caio Maniero D’Auria é um enxadrista. Calculista. Paciente. Insistente. Irritante, até. Graças a essas características, tornou-se, aos 22 anos, o primeiro brasileiro dispensado do serviço militar obrigatório por “razões políticas e filosóficas”. Na prática, significa que ele foi dispensado sem nem precisar jurar à bandeira. Para muitos, a formalidade é apenas um detalhe. Para ele, uma batalha de quase cinco anos de duração em defesa da “liberdade”.

Todos os anos 1,6 milhão de jovens alistam-se e cerca de 100 mil são incorporados ao Exército, à Marinha ou à Aeronáutica (em 2008 foram 80 mil), segundo o Ministério da Defesa. Desses, 95% declararam no alistamento desejo de servir. Os que não queriam, foram convocados por ter alguma habilidade necessária à unidade militar da região. “A Estratégia Nacional de Defesa pretende alterar esse quadro, de modo a que o serviço militar seja efetivamente obrigatório, e passe a refletir o perfil social e geográfico da sociedade brasileira”, anuncia o Ministério da Defesa, sem dar detalhes de como isso será feito.

Por ora, a única exigência feita para os dispensados é uma pastosa cerimônia de Juramento à Bandeira, tão esvaziada quanto a obrigação de executar o Hino Nacional antes das partidas de futebol em São Paulo. Ninguém reclama. Caio recusou-se.

Determinado a encontrar um meio válido de não jurar à bandeira, entranhou-se nas leis militares. Telefonou para o Comando Militar do Sudeste e soube que podia pedir para prestar um serviço alternativo e que, por não haver convênio firmado, isso resultava na dispensa automática. “Mas a secretária da Junta Militar me falou que só Testemunhas de Jeová podiam alegar objeção de consciência. Ela me mandou jurar à bandeira, mas eu estaria mentindo se jurasse dar a vida pela nação, pois jamais faria isso”, diz, com um sorriso tímido de quem mal deixou a adolescência.

De próprio punho, Caio redigiu uma “declaração de imperativo de consciência”, e declarou-se anarquista. A Junta Militar exigiu a declaração de uma associação anarquista confirmando o vínculo. Caio, então, contatou mais de vinte organizações em busca de, como diz, uma “carta de alforria”. Perdeu um ano nessa. “Os anarquistas brasileiros não tiveram a coragem de colocar em prática o que tanto pregam. A maioria está mais interessada em festinhas”, reclama. E pondera: “Acho que eles tiveram medo de ser fichados pelo Exército”.

Desiludido, encontrou na internet a organização Movimento Humanista. Enfim, sentiu que seria atendido. “Pregamos a não-violência e somos contra o serviço militar obrigatório”, diz Paulo Genovese, coordenador do grupo, que faz reuniões semanais e promove a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência.

Diante de nova declaração de objeção de consciência, a Junta pediu dados dos integrantes e o CNPJ da organização. Três meses depois, foi preciso detalhar quais eram as incompatibilidades do movimento com o serviço militar.

Era janeiro de 2008. “Passei noites em claro redigindo. Fui pessoalmente entregar”, diz, satisfeito. Sustentou que os humanistas colocam “o ser humano como valor central”, enquanto os militares devem defender a pátria “mesmo com o sacrifício da própria vida”. E que o “repúdio à violência” é incompatível com o “amor à profissão das armas”.

Quatro anos e oito meses após se alistar, Caio pegou seu Certificado de Dispensa do Serviço Alternativo. Em 2008, apenas seis jovens foram eximidos por objeção de consciência. Nos últimos cinco anos, 232. Mas Caio foi pioneiro. “Nunca motivos políticos livraram alguém, o meu processo é o número 001/08. Abri um precedente e agora tenho onde lutar por minha liberdade e pela dos demais”, comemora ele, que é analista de dados de telemarketing. Há anos quer prestar concurso público. Agora pode.

Matéria publicada em:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=3593


Reportagem Escaneada:

** Clique na imagem acima para ver em tamanho real

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Animação sobre a Marcha Mundial pela Paz e Não-violência

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Entrevista sobre a Marcha mundial pela paz e não-violência



Entrevista sobre a Marcha Mundial - Ricardo Jullian (RJ)

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

A Força da Não-violência

Palavras de Giorgio Schultze
Porta-voz europeu do Novo Humanismo

Fórum Humanista Europeu
A força da Não-violência
Milão, 17-19 de outubro de 2008


Queridos amigos,
Quero compartilhar com vocês algumas reflexões de quem teve a sorte de atravessar este mundo e de viver esta época extraordinária para a humanidade.

São inegáveis os progressos alcançados nesta região em algo mais de um século e meio de história, assim como são inegáveis as lacerações, os sofrimentos, as violências padecidas e infligidas.

Não há dúvida que um sistema, democrático só formalmente, que se sustenta graças à iniqüidade e à desproporção na distribuição da riqueza, que mina na base os fundamentos da coesão social, nega os direitos fundamentais das pessoas como a saúde, a educação e uma velhice serena, que engendra todo tipo de discriminação e racismo, que esgota seus recursos e envenena o meio ambiente, antes ou depois está destinado ao fracasso.
A queda das Bolsas e a quebra dos mercados financeiros são o indicador mais evidente e completo de uma crise estrutural de época que há anos se vislumbra no horizonte.

Se fôssemos um pouco cínicos ficaríamos na janela a observar "o desastre" produzido por quem se sentiu um triunfador e portador de um modelo imperial "globalizante" e esperaríamos com serenidade a conclusão desta louca corrida.

Mas como cidadãos deste mundo, estamos profundamente preocupados porque não está claro que a resposta e a saída à crise vão na direção esperada.

Preocupa-nos que a resposta a esta crise econômico-financeira e aos transbordes sociais que inevitavelmente ela provocará (e que já está provocando) em vez de transformar-se em eqüidade e justiça social e em re-equilíbrio ambiental e redistribuição dos recursos, se transforme em chantagem armada contra a população.

Preocupa-nos que as fontes energéticas e os recursos hídricos, ao invés de serem tutelados e protegidos como "bens comuns da humanidade", sejam controlados e ameaçados com um arsenal nuclear capaz de fazer "saltar" o planeta 25 vezes. Mas não basta uma só?

E quem é que poderia parar o dedo de quem a "modo de prevenção" tivesse que decidir provocar uma mini-catástrofe nuclear, também só "demonstrativa"?. Nesta guerra, como em todas as guerras, não haveria vencidos nem vencedores, mas somente mortos. E como disse Gandhi: " que diferença faz para um morto se a louca destruição é forjada em nome do totalitarismo ou sob o sagrado nome da liberdade e a democracia?"

Como podemos desarmar as cabeças nucleares agora? Como podemos desativar a violência? Em que imagens podemos nos inspirar em um momento tão difícil, onde tudo se apresenta tão acelerado que parece que não houvesse mais tempo para pensar, sentir e atuar em forma coerente, em forma "não-violenta"?
Como poderemos começar a dar respostas diferentes nós "civilização ocidental"; que desde o Código de Hammurabi (18° século a.C.) consideramos a vingança e o castigo como as únicas formas de justiça, e nos alimentamos do princípio "olho por olho, dente por dente" ou "mors tua viatea mea".
Com este modo de ver o mundo, com esta tensão de fundo na estrutura das relações com os outros, como poderemos reorganizar a sociedade, a economia, a política desta região, baseando-nos em princípios de solidariedade, subsidiaridade, cooperação e reciprocidade?

Há séculos, as tribos Bantú, Zulu, Xhosa transmitem de pai para filho o conceito do "Ubuntu": "a união universal que une à humanidade inteira ", um tipo de rede invisível que sustenta a vida, onde todos nós estamos incluídos e o princípio de conduta que dele se deriva: "umuntu ngumuntu ngabantu": "você é através dos outros".
Se alguém maltrata, fere, mata a outro, irrita, lacera o Ubuntu. Por sua vez o maltratado não pode, por vingança, raiva ou desespero, maltratar, ferir ou matar, porque atuando assim laceraria mais a ferida. "Ele terá que fazer algo para ajudar-se a si mesmo e ao outro, para assim reparar o Ubuntu."
Um princípio parecido àquele indicado no Talmud, o Texto Sagrado dos Judeus, assim como no Alcorão, texto sagrado do Islã: "Quem quer que destrua uma só vida é tão culpado como se tivesse destruído o mundo inteiro, e quem quer que salve uma só vida tem tanto mérito como se tivesse salvado ao mundo inteiro."
Um princípio na base de todas as religiões e culturas universais, do hinduismo do Mahabarata, ao Cristianismo do antigo Testamento, de Confúcio a Buda, de Sêneca a Voltaire. Uma regra, a Regra de ouro, "trata aos demais como quer ser tratado"que se de veras fora aplicada até suas últimas conseqüências representaria essa revolução de época, do "Novo Humanismo" ao que aspiramos.
Uma concepção não punitiva mas reparadora, uma ação não vingativa mas de reconciliação, atos não contraditórios mas unitivos e válidos dirigidos a outros e que no final nos "premiam" a nós mesmos.

Para que a não-violência possa triunfar, além dos princípios de condutas e as ações precisaremos de outro atributo: a Verdade.

Muito do que ocorreu neste último século de história humana se desenvolveu baixo a insígnia deformável da mentira, da manipulação da informação, da criação de medos coletivos para fomentar a reação cega, ou pior ainda, para remover a esperança.

Retomando o que disse Zaratustra, há mais de 3.000 anos ("Pensa bem, faça boas ações, diga a verdade"), Gandhi nos ensinou o Satyagraha, palavra composta, que deriva do sânscrito (satya = verdade) e graha (agarrar-se fortemente). Agarrar-se fortemente à "verdade", para poder sustentar o Ahimsa, a não-violência.
É esta a mais alta e difícil missão da ação não-violenta: levar a verdade à luz e rasgar o manto tenebroso da mentira, criar consciência.

Muitas pessoas, também aqui presentes, nos ensinaram, no momento do luto e do drama da perda violenta de uma pessoa querida, que o que leva à justiça não é a vingança mas a busca da verdade. Elas demonstraram que a justiça não tem um sentido pleno só no respeito formal dos Códigos, mas, sobretudo, ela dará à consciência o sinal de que se pode abrir um caminho para a reconciliação.

Como fez o pai palestino a quem assassinaram o filho de 10 anos, quando decidiu doar os órgãos de seu filho para cinco crianças hebréias a quem salvou a vida, depois de ter passado três noites de tormentos e agonia, em pleno contraste com os "códigos" de sua comunidade e da comunidade "hostil".
Como fez a mãe do soldado hebreu assassinado no Líbano, ao achar o sentido da vida e abrir, em um pequeno local da fronteira, um hospital para curar crianças palestinas com médicos israelenses, derrubando os muros entre os extremos e nas consciências.

Como fizemos com alguns jovens da república Tcheca e da Itália, com manifestações e greves de fome para revelar ao mundo um projeto secreto de morte como é o escudo espacial americano.

Como está fazendo um grupo de garotos de Palermo, que construíram, até agora, quatro creches e escolas multiétnicas, para ensinar que o diálogo entre as culturas é possível e necessário ou que é possível dizer: adeus chantagem!.

Sabemos que a ação não-violenta necessitará de muita coragem e de persistente paciência.

Este caminho para a não-violência não surge espontaneamente, tal como não surge espontaneamente o caminho para a reconciliação. Ambas demandam uma grande compreensão e que se introduza dentro de cada um de nós a repugnância física e mental da violência.

A humanidade, o ser humano, cada pessoa necessita superar a dor e o sofrimento, necessita encontrar novos caminhos de reconciliação, necessita experimentar compaixão frente a quem se acha em dificuldade, necessita achar o sorriso pensando no futuro.


De que falarão as Crianças de Ubuntu quando cheguem a ter nossa idade?
Ainda de discriminação e racismo?
Ou falarão como Construtores e Embaixadores da nação humana universal?

Os ideais de um mundo não se iniciam por decreto, mas com a prática, no empenho cotidiano, nos âmbitos onde nos toca viver e trabalhar e nos quais cada um tem que lutar para conseguir mudanças positivas.

É necessário um salto de consciência, uma mudança da época, conceber a nós mesmos e ao mundo que nos circunda como uma estrutura única, uma rede invisível que nos une.

Uma rede invisível que une quem vive, quem nos precedeu e quem teve a coragem de abrir o caminho e a paciência para esperar-nos neste cruzamento da história.

Estamos no ponto de iniciar a cumprida Marcha pela Paz e a Não-violência!

Tu e eu atravessaremos o Mundo com uma mensagem de Nova humanidade.
Tu e eu atravessaremos este mar, com os navios construídos com tenacidade e intencionalidade.
Tu e eu atravessaremos descalços as frias cadeias montanhosas para nos acharmos nas acolhedoras Cidades dos Construtores de Paz.
Tu e eu iluminaremos esta infinita noite da Pré-história Humana, com as tochas da paciência e as fogueiras da coragem, em espera do alvorecer de uma verdadeira, nova História Humana.
Já muitos estão esperando-nos: Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Henry David Thoreau, Leão Tolstoy, Albert Einstein, Betty Williams e Mairead Corrigan, Patrice Lumumba, Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi, Rigoberta Menchú...

E muitos outros estão alcançando-nos com suas bandeiras de Esperança, movidas pelo suave alento da Liberdade.

E como me disse Silo faz pouco tempo: "Não temas. Ama a realidade que constróis e nem sequer a morte deterá teu vôo".

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Novo Mapa da Marcha Mundial pela Não-violência

Novo Mapa do percurso da Marcha Mundial pela Não-violência

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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Seminário: O Ciclo da Violência e a Rede de Proteção Social

Seminário:

O Ciclo da Violência e a Rede de Proteção Social: as experiências dos Serviços de Proteção Jurídico Social e apoio Psicológico na Cidade de São Paulo (SPJSAP)

Local: PUC SP – sala P 65

Horário: das 14h às 22h

Dia: 19/06/2008

Objetivo:

Este seminário surge como uma iniciativa simultânea do GT que foi criado para pensar o modelo institucional do CREAS na cidade, do Núcleo de Estudos sobre Pobreza e Desigualdade da Faculdade de Serviço Social da PUC/SP e do Movimento de Defesa dos SPJSAP da cidade. O seminário tem como finalidade socializar e sistematizar o debate sobre a implantação da proteção especial na cidade de São Paulo tendo como foco a experiência de trabalhos com o ciclo da violência.

O debate estará centrado não só no resgate da experiência dos Serviços de Proteção Jurídico e Social e de Apoio Psicológico como nos desafios relacionados a política de enfrentamento das situações que envolvem o ciclo da violência a partir de suas causas de existência e agravamento.

A necessidade deste debate existe há muito tempo devido a falta de clareza sobre esta ação e pela diversidade como ela é concebida e desenvolvida na cidade. Assim o seminário nos ajudará a avançar no incremento de uma política pública capaz de valorizar as ações e metodologias existentes, que têm enfrentado esta complexa realidade.

Organizadores:

Núcleo de Pobreza e Desigualdade da Faculdade de Serviço Social da PUC SP

GT CREAS-COMAS-SP

Apoio:

Serviços de Proteção Jurídico Social e Apoio Psicológico

Movimento de Defesa dos Cedecas da Cidade de São Paulo

Equipe de sistematização:

Alunos do Núcleo de Pobreza e Desigualdade

Programação

Horário: 14h às 15h30

  • Mesa Redonda: O Ciclo da violência e a Política Pública de Proteção Especial
  • Coordenação: Emanoel – Cedeca Santo Amaro

Dra Joise Bacarissa -Comissão de Justiça e Paz

Professor Flávio Crocce Caetano – Faculdade de Direito PUC/SP

Profª Isaura Oliveira Isoldi – Núcleo de Violência PUC / SP

Horário: 15h30 às 16h Intervalo – café

Horário: 16 as 18hs

  • Mesa redonda: Dos Cedecas aos Serviços de Proteção Jurídico Social e apoio Psicológico
  • Coordenação: Eduardo Faiola - CEDECA Belém

Everaldo Oliveira - Coord. Associação de Meninos e Meninas de rua da Sé (CEDECA - SÈ)

Emanuel Coord. Associação Corrente Libertadora (CEDECA –Sta. Amaro)

Pe. Júlio Lancellotti – Bom Parto (CEDECA Belém)

Dra. Tatiana Bolens- Justiça Restaurativa

Prof. Neire Bruno – Assistente Social

Horário: 19h às 22 h

  • Apresentação da síntese dos Serviços de Proteção Jurídico e Social – (Gabriel de Carvalho Sampaio)

Coordenação: Prof. Dra Rosalina de Santa Cruz Leite Coord. do Núcleo de Pobreza e Desigualdade

  • A proteção Especial e o ciclo da violência; desafios da implantação dos CREAS

Valeria Maria Gonelli - Diretora do Departamento de Proteção Especial –MDS

  • A experiência de implantação do CREAS em São Paulo.

Ilmo. Sr. Dr. Paulo Sérgio de Oliveira e Costa(a confirmar) - Secretário de Assistência e Desenvolvimento Social da cidade de São Paulo

  • GT Comas- Represente da Sociedade Civil

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quinta-feira, 8 de maio de 2008

SEMANA DA NÃO-VIOLÊNCIA ATIVA

Na próxima semana organizamos desde A Comunidade a "Semana da Não-Violência Ativa" no Centro Histórico do Mackenzie.

Também encontrarão informação no site www.acomunidade.org.br.

Por favor, repassem para as suas listas!

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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Vândalos contra a Violência

Vejam que jeito interessante de se manifestar contra a violência:

"O grupo dinamarquês Vândalos contra a Violência (Vandaler Mod Vold) lançou uma ação de guerrilha para protestar contra o aumento da criminalidade em Copenhagen. Por toda a cidade e nos lugares mais inusitados, eles colocaram bilhetes manuscritos auto-colantes (post-it) com frases como só os fracos usam a violência."

http://www.youtube.com/watch?v=5wXDQ01Wwdg

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Não-violência e Novo Humanismo

Neste sábado 26 de abril, no Parque Caucaia (Cotia-SP), estaremos transmitindo as palavras de Silo desde o Parque histórico Punta de Vacas - Mendoza - Argentina

Estas jornadas acontecerão todos os últimos sábados do mês deste ano 2008.


Neste comunicado anexamos o Link em Youtube para poder assistir ao Spot , que é uma síntese do que será exposto na ocasião



Palavras de Silo no Spot

O Humanismo

Os humanistas são internacionalistas.

Aspiram a uma Nação Humana Universal.

Não desejam um mundo uniforme, senão múltiplo.

Múltiplo nas etnias, línguas e costumes.

Múltiplo nas crenças, em ateísmo e em religiosidade.

Os Humanistas não querem amos.

Não querem dirigentes nem chefes.

Nem se sentem representantes nem chefes de ninguém.

O mundo, mais que em outros momentos, está necessitando do Humanismo.

Ação Humanista

Quero destacar a necessidade de ação humanista

porque acontece que os acontecimentos estão marcando um transbordamento

da violência em todos os campos

e uma deterioração de toda referência

nos indivíduos e nos povos,

que o Humanismo Universalista

tem hoje a possibilidade

de criar consciência

e ação não violenta

e constituir-se em referência

para amplos setores da população mundial.

Esclarecimento e Ação Reflexiva

É forçoso compreender o sentido da ação

e não aceitar o conjunto supérfluo de ordens vazias que povoam os meios de difusão.

Aceleração e Reação

As populações vão sentindo a frustração do futuro

e desconfiam cada vez mais de toda proposta que vá mais além do imediatismo.

Tudo isso vai acompanhado da dissolução de estruturas que até pouco tempo eram referenciais.

Documento Humanista

Mas entre as aspirações humanistas e as realidades do mundo de hoje

levantou-se um muro.

É chegado o momento, pois, de derrubá-lo.

Para isso é necessária a união

de todos os humanistas do mundo.

Silo , abril de 2008


Vídeo em alta resolução   http://www.megaupload.com/?d=VCDKKLNX


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terça-feira, 22 de abril de 2008

Fórum sobre Cultura de Paz e Pedagogia da Convivência

Fórum internacional

Cultura de Paz e Pedagogia da Convivência

– ação e políticas públicas –

26 de abril de 2008 • MASP - Museu de Arte de São Paulo • das 9h às 18h30

Pela primeira vez na história as gerações mais novas detêm habilidades,
competências e conhecimentos que as mais velhas procuram alcançar – às vezes
com grande dificuldade. Pela primeira vez também a dinâmica social adquire um
caráter horizontal, e as relações não se articulam mais através de papéis
predeterminados – cada situação exige uma nova configuração no tabuleiro do
poder. Tudo está sendo revisado – oferecendo, provocando e exigindo novas
leituras, novas prioridades, novas escolhas e, igualmente, novas incertezas.

Como contextualizar o ensino / aprendizagem em uma realidade tão mutável? Que
repertório de valores podem integrar o sentir, o pensar e o agir? Como aliar
liberdade crescente com interdependência urgente? Qual o papel da escola e da
comunidade na orientação de significados que acolham as múltiplas dimensões
do ser, suas aspirações e potencial criativo? E como as políticas públicas
podem promover valores e ações para gerar alternativas de convivência?

Neste Fórum contaremos com as contribuições dos mais destacados pedagogos da
atualidade e, igualmente, personalidades comprometidas com o desenvolvimento
da Cultura de Paz em todos os setores da sociedade, nos quatro cantos do
mundo. Oportunidade singular de conferir avanços, descobrir espaços de
convergência e valorização do exercício democrático pois, nas palavras de
Nilson José Machado "A educação sempre será motivada pelo que é possível
imaginar e não apenas pelo que é possível imaginar como possível; nunca
poderá resumir-se apenas a utopias, mas jamais poderá prescindir delas".

9h30 – 10h30

Abertura a cargo da DRA. MARLOVA J. NOLETO

Moderadora: Lia Diskin – Co-fundadora da Associação Palas Athena

11h – 12h30 - Mesa 1

CULTIVAR A PAZ E EDUCAR PARA A CONVIVÊNCIA


Moderador: Prof. Dr. Carlos Emediato – Coordenador da Rede Global de Educação
para a Paz - REDEPAZ

14h - 15h30 - Mesa 2

CULTURA DE PAZ E POLÍTICAS PÚBLICAS – DESAFIOS ATUAIS

MINISTRO JOSÉ GREGORI

E DR. EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO

16h - 17h30 - Mesa 3

EDUCAÇÃO PARA A PAZ, CIDADANIA E DEMOCRACIA

Moderador: Prof. Dr. Pedro Pontual – Coordenador do Instituto Pólis e
presidente do CEAAL Consejo de Educación de Adultos de América Latina

17h30 – 18h30 – Mesa 4

CENÁRIOS E HORIZONTES PARA A AÇÃO GLOBAL E LOCAL

PROFA. DRA. ROSE MARIE INOJOSA E PROF. HAMILTON FARIA

ROSE MARIA INOJOSA, é coordenadora da UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio
Ambiente e da Cultura de Paz da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São
Paulo. Membro da Rede Ação pela Paz e da Rede Gandhi – Saúde Cultura de Paz e
Não-violência.

HAMILTON FARIA é poeta e professor universitário, coordenador do Instituto
Pólis, especialista em Políticas Públicas de Cultura, animador da Rede
Mundial de Artistas. Trabalha a Cultura de Paz em redes e fóruns de cultura
propondo a criação de Conselhos Municipais de Cultura de Paz e a sua inclusão
nas agendas públicas.

Manifestações artísticas:

Izabel Lima, atriz e arte-educadora com especialização pela ECA/USP; Diogo
Alvim Gonçalves, instrutor de Educação Gaia e da Carta da Terra na UMAPAZ;
Jovens do Grajaú, redes sociais que fortalecem a cultura de paz em cenários
de violência, e Rede Cultural Beija-Flor, jovens empreendedores atuando na
preservação dos riscos sociais de crianças, adolescentes e comunidades por
meio da arte, cultura, esportes e desenvolvimento local através de projetos
sociosambientais.

ENTRADA FRANCA

Serão entregues certificados

26 de abril de 2008 • sábado • das 9h às 18h30

Auditório do MASP • Museu de Arte de São Paulo

Av. Paulista, 1.578 - São Paulo - SP (Estação Trianon-Masp do Metrô)

Informações: Palas Athena (11) 3266-6188

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Não-violência - Homenagem a Luther king


Não-violência – 40 anos da morte de Luther King serão lembrados em evento na Câmara Municipal de São Paulo
Consulados, representantes de religiões e do movimento negro participarão da homenagem
Em 04 de abril de 1968 era assassinado o líder negro norte-americano Martin Luther King Jr, que pregava a não-violência como metodologia de ação. Mais atual do que nunca, difundir esses ideais é uma tarefa urgente num mundo assolado pela violência, guerras e desrespeito aos direitos não só dos cidadãos negros como de uma série de maiorias e minorias discriminadas.
Foi com base nesse cenário que o Movimento Humanista e o Movimento Brasil Afirmativo decidiram realizar essa homenagem. "A violência hoje é generalizada: a juventude negra sofre diariamente, nas famílias a situação é gravíssima, isso sem falar nas constantes guerras e ameaças de guerras e na violência urbana que cresce em todos os grandes centros urbanos do mundo, devido à desigualdade social e à discriminação", opina a humanista Fernanda Mendes, uma das organizadoras do evento. O mandato da vereadora negra Claudete Alves (PT/SP) acolheu a iniciativa.
Participarão do evento representantes de diversas religiões, que remeterão às raízes não-violentas de suas respectivas religiões, e do consulado americano, que aceitou prontamente o convite para falar da importância de Luther King na história dos Estados Unidos e do mundo, mostrando que aquele país também é capaz de produzir manifestações a favor da paz. O professor Eduardo de Oliveira, intelectual e histórico militante do movimento negro brasileiro, também falará sobre a vida do líder norte-americano. Em 1968, ele recebeu uma carta de Luther King parabenizando sua luta pelos direitos dos negros brasileiros.
Sobre a Não-violência:
O conceito de Não-violência foi criado por Gandhi, que protagonizou a independência da Índia do domínio inglês sem o uso de armas ou qualquer tipo de violência contra seus opressores. Atualmente, foi incorporado pelo pensador latino-americano Mário Luis Rodrigues Cobos, conhecido como Silo, cujas idéias são seguidas por milhares de ativistas em todo o mundo.
Data: 04/abril/2008
Programação:
19 hs – Boas vindas:
- Movimento Humanista
- Movimento Brasil Afirmativo
- Mandato Claudete Alves (PT/SP)
19:15 hs – As raízes não-violentas das religiões:
Católica – Padre Enes – Instituto do Negro Padre Batista
Matriz afro – Tata Katuvanjesi - Nganga diama Inzo Ia Tumbansi
Evangélica – Pastora Daniela Zeidan – Mov. Negro Evangélico
Islâmica – Malma - presidente do Conselho Brasileiro de Desenvolvimento Islâmico
Judaica – Centro da Cultura Judaica
19:45 hs – Vídeo sobre a história da Não-violência
20:00 hs – Apresentação sobre dois líderes da não-violência – Gandhi e Silo - Beatriz Aguirre – A Mensagem de Silo
20:15 hs – O legado de Luther King – Consulado Americano
20:30 hs – Luther King e o Brasil – Prof. Eduardo de Oliveira – presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro
20:45 hs – Hino da Negritude
21:00 hs – Encerramento
Local:
Câmara Municipal de São Paulo
Auditório Sérgio Vieira de Melo – 1º subsolo
Viaduto Jacareí, 100 – Centro – São Paulo – SP
Informações:
11 3442 2438 - Fernanda

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segunda-feira, 3 de março de 2008

62º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz

62º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
parceria UNESCO – Palas Athena

Amazônia para Sempre
a cargo de Christiane Torloni e Victor Fasano
Durante as gravações da minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes artistas brasileiros tiveram contato com a dura realidade da nossa floresta. Constataram o efetivo desflorestamento que a Amazônia vem sofrendo e resolveram criar um manifesto em prol da Floresta, à qual enxergamos de maneira inconseqüente "como um obstáculo ao progresso, como área a ser vencida e conquistada. Um imenso estoque de terras a se tornarem pastos pouco produtivos, campos de soja e espécies vegetais para combustíveis alternativos, ou então uma fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, minerais e energia elétrica. Continuamos um povo irresponsável. O desmatamento e o incêndio são símbolos da nossa incapacidade de compreender a delicadeza e a instabilidade do ecossistema amazônico e como tratá-lo".

Assim, idealizado pelos atores Christiane Torloni e Victor Fasano, a partir da carta manifesto escrita pelo também ator Juca de Oliveira, surgiu o projeto Amazônia para Sempre que tem como principais objetivos: informar e sensibilizar o cidadão brasileiro sobre a situação desta região tão importante para o Brasil e para o mundo; e captar no mínimo um milhão de assinaturas de adesão ao manifesto, as que serão encaminhadas ao Presidente da República exigindo o cumprimento do Parágrafo 4º, do Artigo 225 da Constituição Federal, que determina a preservação da Floresta Amazônica.
11 de março de 2008 · terça-feira · 19 horas
Auditório do MASP • Museu de Arte de São Paulo
Av. Paulista, 1578 - São Paulo - SP (Estação Trianon-Masp do Metrô)
Informações: Palas Athena (11) 3266-6188
Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz
www.comitepaz.org.br - www.palasathena.org.br



ENTRADA FRANCA

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Grave Crise da PM abala governo do Rio


Crise da PM abala governo do Rio

Enviado por: "Romeu Sierra"

Ter, 12 de Fev de 2008 11:52 am

*Crise da PM abala governo do Rio

Metade dos oficiais da Polícia Militar pede demissão diante da repressão aos
protestos por salário e condições de trabalho. Governador Sérgio Cabral paga
o menor salário do país

* *
Arnaldo Sanchez, do Rio de Janeiro (RJ)
*

• A Polícia Militar do Rio de Janeiro vive sua maior crise desde 1980,
quando oficiais de baixa patente cercaram em passeata o Palácio Guanabara,
sede do Governo do Estado, furando os pneus dos carros oficiais e
reivindicando equiparação salarial com o exército.

A atual crise foi aberta com uma passeata no dia 27 de janeiro de cerca de
mil policiais pelas ruas do Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca,
reivindicando melhores salários. O bairro foi escolhido porque é onde mora o
governador Sérgio Cabral (PMDB) que, durante sua campanha eleitoral,
prometeu valorizar o salário da PM e do conjunto do funcionalismo. Mas, como
acontece com todos os políticos burgueses que chegam ao governo, Cabral
esqueceu das promessas para os trabalhadores e governa para os ricos.

No mesmo dia desta manifestação, o secretário Estadual de Segurança, José
Beltrame, homem forte da política fascista de segurança pública de Sérgio
Cabral, afirmou que os policiais recebem exatamente o salário que merecem. O
problema é que a PM do Rio de Janeiro tem o pior salário de todos os estados
do país.

Dois dias depois da manifestação, o governo reagiu de forma truculenta
contra a manifestação dos policiais e exonerou o comandante geral, coronel
Ubiratan Ângelo, acusado de não ter usado a sua autoridade contra os
policiais envolvidos. Exonerou, também, o grupo de oficiais que fazia parte
do movimento dos "Barbonos", grupo formado em 2006 por nove coronéis para
reivindicar melhorias salariais e de condições profissionais.

No dia seguinte, quando era nomeado o novo comandante geral da PM, coronel
Gilson Pitta, às portas fechadas e pela primeira vez na história sem a
presença da tropa, 45 coronéis e tenentes-coronéis entregaram seus cargos de
comando em protesto à exoneração do coronel Ubiratan Ângelo. Estas demissões
representam exatos 50% de todos os cargos de comando da PM do Rio.

Na mesma semana, o grupo dos "Barbonos" protestou na praia de Copacabana
fincando na areia 586 cruzes, simbolizando o número de policiais militares
mortos em serviço nos últimos três anos.

Esta crise está longe de se encerrar. Na quinta-feira, dia 7 de fevereiro,
logo após o carnaval, foram afixados cartazes no centro do Rio contra o novo
comandante-geral da PM, chamado de traidor, e reivindicando aumento de
salário.

No dia 11 de fevereiro, os policiais se reuniram na sede da Associação dos
Militares Estaduais para preparar uma nova manifestação e dar prosseguimento
à campanha por aumento de salário. A nova manifestação deve ser realizada
novamente no Leblon, em uma demonstração que a luta está sendo dada contra o
maior responsável pelo arrocho salarial do funcionalismo, o governador
Sérgio Cabral, grande aliado de Lula no Rio de Janeiro.

Uma grande demonstração do caráter de classe da polícia é a atual política
de segurança pública do governador Sérgio Cabral, apoiada integralmente pelo
governo federal e pelo PT, que visa criminalizar a pobreza e está
assassinando uma parte significativa da juventude negra e pobre das
comunidades carentes cariocas. O maior exemplo ocorreu em junho de 2007, no
complexo do Alemão, quando uma megaoperação policial deixou 19 mortos,
muitos deles assassinados à queima-roupa, num massacre de civis. Apesar de
todo este terrorismo de Estado, esta política só aumenta a violência e não
consegue nenhum êxito efetivo em relação à segurança da população.

Porém existe uma divisão nos aparatos repressivos do Estado. Um setor da
base e da baixa oficialidade está se mobilizando por reivindicações
salariais e políticas, chocando-se inclusive com os governos e o comando
maior destas instituições. Nós apoiamos esta luta salarial e manifestamos
nossa desconfiança em relação aos coronéis. Mais ainda, defendemos que os
policiais unifiquem sua luta com o resto do funcionalismo, inclusive contra
a atual política de extermínio.

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A maior tragédia humanitária desde a Segunda Guerra Mundial

45 MIL MORTOS. TODO MÊS
Relatório do International Rescue Committee aponta a situação na República Democrática do Congo como a "pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial", com 5,4 milhões de vítimas desde 1998. Conflito é provocado pela espoliação dos recursos naturais por parte de corporações multinacionais e instituições multilaterais. Enquanto exploração de minérios rende lucros privados estratosféricos, 80% da população sobrevive com 30 centavos de dólares ou menos por dia. Primeiro artigo de dois. Fotos de Marcus Bleasdale (*).
Por Gustavo Barreto
No dia 1º de fevereiro de 2006, este Fazendo Media publicou uma dramática reportagem sobre a República Democrática do Congo, denunciando que o país passava por uma crise humanitária negligenciada pela mídia e sustentada por corporações multinacionais e governos de países desenvolvidos. O título da reportagem: "38 mil mortos. Todo mês" [1]. As estimativas vieram de um artigo publicado na revista de medicina Lancet e davam conta de que, desde 1998, quase 4 milhões de pessoas haviam morrido.
Exatos dois anos depois, as notícias não são boas. Relatório do International Rescue Committee (IRC), grupo que reúne pesquisadores e ativistas de diversos países, afirma que já passam de 45 mil as mortes todos os meses, totalizando 5,4 milhões de vítimas desde 1998 – a maior tragédia humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, com 1.500 mortos por dia [2].

A exploração de recursos naturais por multinacionais está no centro do conflito na RDC
Ao mesmo tempo, centenas de corporações internacionais obtiveram lucros extraordinários por meio da extração e processamento de minerais congoleses. O número de vítimas é superior à população da Dinamarca e semelhante ao total de habitantes da cidade do Rio de Janeiro.
O IRC documenta desde 2000 o impacto humanitário da guerra no Congo por meio de análises e pesquisas acerca da mortalidade no país. Este é o quinto estudo realizado pelo grupo sobre a RDC. Os primeiros quatro, conduzidos entre 2000 e 2004, estimaram que 3,9 milhões de pessoas morreram desde 1998, reconhecendo desde então a República Democrática do Congo (não confundir com a República do Congo, país vizinho) como a mais fatal crise planetária desde a Segunda Guerra Mundial.
O relatório afirma que menos de 10% do total de vítimas morreram devido à violência direta, em conflito. A maior parte é atribuída a males facilmente evitáveis e tratáveis, tais como malária, diarréia, pneumonia e má nutrição. O relatório aponta que recentes avanços políticos nas áreas de segurança e o aumento dos fundos humanitários para o país poderiam trazer esperança para a RDC finalmente deixar a crise pela qual atravessa. "Um grande número de agências internacionais expressaram otimismo em relação a tal progresso, que poderia render frutos em um futuro próximo", destaca o relatório. "No entanto, a República Democrática do Congo enftrenta muitos desafios em sua caminhada rumo à reconstrução e desenvolvimento", alerta.

Na foto, uma das vítimas da espoliação internacional. 90% dos mortos sofrem com a falta mais básica de acesso à saúde
O relatório cobre o período de janeiro de 2006 a abril de 2007. A província de Kivu Norte experimentou uma particlar escalada de violência ao final de 2006, resultando em um aumento na mortalidade local e 400 mil refugiados. O IRC aponta que a melhoria em apenas uma região em relação à taxa de mortalidade não conseguiu fazer frente ao aumento das mortes em Kivu Norte. "O aumento da mortalidade ao longo da República Democrática do Congo indica que o país permanece em meio a uma enorme crise humanitária", conclui o relatório, cobrando engajamento da comunidade internacional.
Violência em cadeia
A cadeia de produção capitalista é, muitas vezes, esquecida pelos principais analistas internacionais. Uma exceção é a reportagem da edição de abril de 2006 da revista americana Fortune, do grupo CNN. Em matéria assinada pelo colaborador da revista Anjan Sundaram, destaca-se que a demanda pelo estanho vem principalmente da indústria global de eletrônicos [3]. Na reportagem, Sundaram conta a história de Pascal Kasereka, um garoto de 16 anos que havia caminhado durante dois dias desde uma mina em Walikale, a oeste do Congo, para vender a mercadoria – ou commodity, como gostam de chamar os operadores do mercado internacional e analistas da imprensa internacional. "Ouvi dizer que os americanos gostam dela", avisa o menino.
Soldados compram a mercadoria por 14 centavos de libra – por volta de 15 dólares por todas as pedras nas costas de Kasereka. O preço, dentro do cenário de "livre mercado" idealizado pelos americanos e ingleses, é determinado pelas armas apontadas para o garoto. Assim como Kasereka, outros garotos caem no chão exaustos, enquanto a poucos passos dali aqueles mesmos sacos serão vendidos por cinco vezes mais que o preço inicial. Os 15 dólares viram 350 no mercado mundial. Deixarão o país em aviões enferrujados, produzidos por grandes potências como Estados Unidos, Rússia e China, e partirão para rotas conhecidas, como Ruanda e Uganda, até chegaram ao consumidor final – cidadãos de países desenvolvidos.
A cassiterita, um mineral de estanho, é uma commodity disputada agora que as regulações ambientais forçaram a indústria global eletrônica a usar estanho em vez do tradicional chumbo nas placas de circuito e em outros componentes de informática. De 2002 a 2006, o preço do estanho praticamente dobrou – foi para aproximadamente 7 mil dólares a tonelada.

O mercado internacional ignora que por trás de uma commodity lucrativa pode estar o trabalho infantil e a guerra civil
Grandes empresas não admitem o uso de recursos naturais da República Democrática do Congo e de outros países em guerra, porque não compram diretamente do governos locais. No entanto, acabam por consumir indiretamente a maior parte destes minerais, extraídos em condições ilegais, imorais e servindo de base de sustentação para o mais importante genocídio desde a Segunda Guerra Mundial. Além disso, é conhecida a estratégia de muitas multinacionais de abrir fábricas em países onde as condições financeiras oferecem vantagens – incluindo países para onde os recursos do Congo são exportados, a exemplo de algumas nações e territórios asiáticos.
"Quando se olha para a República Democrática do Congo (RDC), é preciso notar a importância das corporações internacionais atuando no país", alerta Maurice Carney, da organização Amigos do Congo (Friends of Congo), ao comentar o relatório do International Rescue Committee para o programa de TV Democracy Now!, integrante da imprensa alternativa nos Estados Unidos.
"Estupro" de uma Nação
"Normalmente, quando falam deste país, as pessoas costumam falar dos estupros, que ocorrem em uma escala assustadora. Basicamente, há dois tipos de estupros ocorrendo no país. Um é o estupro de mulheres e crianças. O outro é o estupro da terra, dos recursos naturais", denuncia Carney.
"O Congo tem uma grande quantidade de recursos naturais. Estamos falando aqui de 30% das reservas de cobalto do planeta, 10% das reservas de cobre, 15% das reservas de estanho e 80% das reservas de coltan [composto combinado contendo columbita e tantalita]. As multinacionais no Congo estão aumentando cada vez mais seus lucros, enquanto o povo está sofrendo enormemente", completa. O composto coltan, por exemplo, é amplamente utilizado na fabricação de telefones celulares.
O integrante da Amigos do Congo informou que a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um relatório com dados de 2001 a 2003 sobre as exportações ilegais de recursos naturais do Congo e apontou os nomes das empresas e detalhes das transações.
"Há um número grande de corporações norte-americanas, todas nomeadas no relatório. Uma das empresas está ligada a um secretário da área de energia da administração Bush. Há também uma grande atuação de corporações canadenses. Nos últimos anos quase todo primeiro-ministro canadense esteve envolvido na exploração das minas no Congo", exemplificou, citando nominalmente chefes de Estado canadenses como os primeiro-ministros Joe Clark (1979-1980), Brian Mulroney (1984-1993) e Jean Chrétien (1993-2003). "Todos lucrando a partir dos recursos naturais do Congo, enquanto 80% da população sobrevive com 30 centavos de dólares ou menos por dia", aponta Carney.

Exploradores a serviço das mineradoras internacionais. Deste "ramo" da economia surgiu o atual presidente, Joseph Kabila
Ele completa afirmando que o atual presidente da RDC, Joseph Kabila (por vezes aparece com dois "L"s), e seu pai, Laurent Kabila, foram colocados no poder em 1997 pelas forças do ocidente, com o objetivo de facilitar o acesso aos recursos naturais (leia o contexto histórico, mais adiante). "Essa é a principal razão para Kabila estar no poder", ressalta.
O International Crisis Group [5], organização independente que faz relatórios sobre crises humanitárias, realizou um estudo em 2007 em que documenta o apoio de diversos embaixadores à vitória de Kabila nas eleições de janeiro deste ano. Carney credita este apoio ao fato de que eles sabiam que teriam, por meio de Kabila, acesso facilitado aos recursos naturais.
Desrespeito às convenções internacionais
Em um relatório datado de 5 de julho de 2007 [6], o International Crisis Group recomenda que os doadores do processo democrático de 2007 – França, Grã-Bretanha, Estados Unidos, Béligca, África do Sul, União Européia e China, entre outros – apóiem os esforços do governo para administrar os recursos naturais, "incluindo solicitar às empresas destes países que cumpram as leis nacionais e as leis do Congo", bem como "convenções internacionais de boas práticas econômicas".
Conforme pontua a jornalista Colette Braeckman, do periódico francês Le Monde Diplomatique, os acordos assinados em 2003 na cidade sul-africana de Sun City para o fim oficial das hostilidades não tinham como objetivo principal democratizar a gestão de recursos – "mas sim acabar com a guerra, incitar as tropas estrangeiras a deixarem o território e permitir a substituição dos circuitos mafiosos, que operavam no curto prazo, por operadores econômicos mais estáveis, mas não necessariamente menos ávidos". Neste contexto se encaixa como uma luva a administração do Fundo Monetário Internacional, há décadas atuando no país (leia análise de relatório da entidade mais adiante).
Com este arranjo político de 2003, assinala Braeckman, alguns dos líderes mais desprezíveis chegaram ao poder na RDC, pois Kabila (filho) teve de aceitar ceder poder para manter sua autoridade.
Foi criado então um "governo transitório". Participou dele, por exemplo, Jean-Pierre Bemba, um ex-homem de negócios corrupto que passou a ocupar a Comissão de Economia e Finanças. É milionário, possuindo negócios em aviação civil e comunicações, entre outros. Seu pai, de quem herdou uma fortuna incalculável, ficou rico durante o governo corrupto do ditador Mobuto, que se sustentou no poder de forma surpreendente por 32 anos (1965-1997). Uma das irmãs de Bemba é casada com um dos filhos de Mobuto, que também foi candidato nas eleições presidenciais de 2006, a exemplo de Bemba [7].

Na República Democrática do Congo, as eleições isoladas se demonstraram uma farsa na tentativa de resolver problemas locais
Outro integrante deste governo foi Azarias Ruberwa, um ex-rebelde aliado do exército ruandês e responsável por distintos massacres. Ruberwa ocupou o cargo de chefe de Defesa e da Segurança. Em 2006 concorreu às eleições e perdeu.
Uma Assembléia Nacional não-eleita foi formada e seus membros redigiram um Código Mineiro e um Código Florestal, com termos ditados pelo Banco Mundial, que havia injetado uma grande quantidade de recursos no país (leia mais adiante). "Os textos oferecem muitas vantagens aos operadores privados, ao mesmo tempo em que reduzem ao máximo suas obrigações. Foi assim, por exemplo, que o Banco Mundial comandou a reestruturação da Gécamines", apontou Braeckman.
A jornalista do Le Monde Diplomatique cita um exemplo, que lembra os casos da era das privatizações durante os governos do presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e de outros líderes neoliberais na América Latina: "Antes que a empresa fosse 'vendida por compartimentos', os 10,5 mil trabalhadores foram demitidos e receberam indenizações que variaram entre 1,9 mil e 30 mil dólares. Mas essas quantias foram destinadas ao reembolso das dívidas, ou absorvidas pelas despesas de curto prazo [pagas pelo Estado]. Esses trabalhadores, agora privados de qualquer proteção da seguridade social, trabalham no setor informal. As firmas procuram substituí-los por máquinas, contratando apenas um mínimo de trabalhadores qualificados." É o modelo econômico seguido por empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, para citar um exemplo mais próximo.
Outras armas do capitalismo foram utilizadas: grandes isenções fiscais a sociedades mistas, por exemplo, por períodos de 15 a 30 anos. Estima-se que a soma dos impostos ficou em média, no ano de 2004, em míseros 400 mil dólares. A MIBA, empresa então estatal de diamantes sediada em Kasai, foi saqueada em 45% de seus ativos, em benefício de uma empresa mista de Congo e Zimbábue (Sengamines).
Leia no segundo artigo da série
* Fotojornalista denuncia farsa das eleições
* População está sendo expulsa das terras
* Influência das instituições "multilaterais"
* Famílias e mulheres temem violência sexual diariamente
* Contexto histórico: exploração internacional e guerras
* Onde se informar sobre a crise
NOTAS
(*) O fotojornalista Marcus Bleasdale, autor das fotos, também é autor do documentário "Rape of a Nation" (Estupro de uma Nação), que será um dos temas do próximo artigo.
Clique aqui para assistir.
[1] Gustavo Barreto, "38 mil mortos. Todo mês",
Fazendo Media. [Acessado em Fev. 6, 2008]
[2]
International Rescue Committee, Mortality in the Democratic Republic of Congo – An Ongoing Crisis. Janeiro de 2008. [Acessado em Fev. 6, 2008]
[3] Anjan Sundaram, "Congo's tin men" [Os homens de estanho do Congo],
Fortune Magazine, April 27, 2006. [Acessado em Fev. 5, 2008]
[4]
Democracy Now!, "Deadliest Conflict Since World War II" (YouTube), January 23, 2008. [Acessado em Fev. 3, 2008]. Vide também links relacionados nesta página, em "About This Video".
[5] Ver
www.crisisgroup.org
[6] International Crisis Group, Africa Report N°128. "Congo: Consolidating the Peace", Kinshasa/Brussels, 5 July 2007. [Acessado em Fev. 5, 2008]
[7] Leia algumas notas e referências a Jean-Pierre Bemba
clicando aqui.









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